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sábado, 28 de abril de 2007

Falar do zen é inútil - Raphael Doko Triet



Falar do zen, fazer kusen (ensinamento oral), se é apenas para ocupar zazen, é inútil. De qualquer maneira, falar do zen é inútil.

É claro, pode-se falar disso durante horas. Inúmeros livros escritos sobre o zen dizem não importa o quê. Tornou-se mesmo uma palavra na moda. Até na nossa sangha, as pessoas falam de mais.

É importante compreender por si mesmo. Na nossa sociedade , queremos sempre tudo com as instruções em cinco ou seis línguas. Mas no que diz respeito à nossa vida íntima, não existem instruções.


Pode-se falar do zen e fazer belos kusen, mas como tocar o coração das pessoas?


Por exemplo, lembro-me que Sensei dizia muitas vezes : "Aos principiantes deveis mostrar a postura mas não vale a pena explicar durante horas."


Esses primeiros instantes, em que estamos um pouco perdidos no dojo, são infinitamente preciosos. É preciso nunca mais esquecer esses momentos. Esses instantes de caos são anunciadores de um renascimento.


Quando Dogen regressou da China e chegou ao Japão, toda a gente o interrogava : " Que aprendeu lá?" Ele respondeu : "Porque deverei ter memória?"


É importante compreender por si mesmo como praticar . É o verdadeiro kusen, compreender a própria postura.


Bastante gente gosta muito de falar da paz, escrever livros, fazer congressos sobre a paz mas quem concorda em fazer o esforço de criar, com o seu corpo e o seu espírito, a paz no interior da sua vida ?


Toda a gente gosta muito de falar de zen mas quem quer muito transformar o seu corpo e o seu espírito ?


Toda a gente gosta muito de falar de compaixão mas quem quer criar, com o seu corpo e o seu espírito, a verdadeira compaixão?


Foi por isso que Buda disse : "Se quiserem, podem partir. Se recusam abrir o vosso espírito, não me incomodem. Apenas se quiserem seguir a coisa real, podem ficar comigo e praticar."

Retirado de Unsui 1997, Raphael Doko Triet , Seikyuji, Dojo Zen de Lisboa

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quinta-feira, 26 de abril de 2007

Origem do nome do Blog



“A porta do Dragão - Ryumonji” por Raphaël Doko Triet

"Há ano e meio, durante uma viagem ao Japão, cheguei a um dos dois grandes mosteiros Soto.


Existem vinte e cinco mil templos Soto no Japão mas dois são os mais importantes: Ehei-ji e Soji-ji.


Chegámos ao Soji-ji e, antes de sermos recebidos pelo zenji, o secretario veio pedir-nos os nomes, a idade, de que cidade e país éramos. Pediu-me também o nome do meu dojo. Fui apanhado de surpresa. Havia pouco tempo que estávamos em Lisboa e precisava absolutamente que o meu dojo tivesse um nome.


De imediato, tive de dar um nome ao dojo. Gosto deste tipo de situação. Então, chamei-lhe « Porta do dragão » e conservei o nome porque faz referência a uma história, uma lenda narrada por Dogen.


« No oceano, há um lugar que se chama a "Porta do dragão". Aí, há sempre grandes ondas que se formam e todos os peixes que passam por lá transformam-se infalivelmente em dragão. Por isso se chama àquele lugar a "Porta do Dragão".


Mas as grandes ondas daquele lugar não são diferentes das de outro qualquer, a água aí é salgada como em qualquer parte. Porém, enquanto neste lugar os peixes se transformam em dragão, as suas escamas permanecem, o corpo deles não se transforma, até a maneira de abrir a boca, tudo, tudo, tudo exactamente como os outros peixes. Mas contudo são dragões.


É como para os monges. Um mosteiro não é um lugar diferente dos outros mas, uma vez entrados nesse mosteiro, os monges tornam-se budas do mesmo modo que os peixes se tornam dragões. Comem a mesma comida dos outros homens. Vestem-se igualmente, protegem-se contra a fome e o frio mas quando se rapam o crânio, vestem o kesa, comem a guen mai, tornam-se monges."

Extraído dum Kusen de Raphaël Doko Triet de Bucelas em 7 de Novembro 1998

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